17 julho 2014

{Resenha tripla} Reconstruindo Amélia - Kimberly McCreight

Kate Baron é uma advogada bem sucedida e mãe solteira de uma adolescente de 15 anos chamada Amélia. Contudo, esse sucesso profissional de Kate foi construído às custas de trabalho árduo e da abdicação da convivência com a filha. Até que um dia, em meio a uma importante reunião de trabalho, Kate recebe uma ligação da escola da filha, solicitando que fosse buscá-la pois havia sido suspensa. Mesmo sem acreditar que a filha tão inteligente e responsável poderia ter sido suspensa por plagiar um trabalho escolar, Kate vai até a escola, mas se atrasa no caminho e ao chegar recebe a pior notícia de sua vida: Amélia está morta, teria cometido suicídio pulando do telhado da escola.

Em meio ao luto e se sentindo culpada por não ter chegado à escola a tempo de evitar a morte da filha, ela recebe uma mensagem de texto dizendo que Amélia não pulou. Esta mensagem além de despertar o lado advogada de Kate que até então estava tentando aceitar a idéia de que a filha havia mesmo cometido suicídio, faz com que ela queira detalhes do inquérito policial. Ela procura a polícia e com a ajuda de um novo investigador designado para o caso, passa a investigar a real causa da morte de Amélia, reconstruindo seus passos a partir de mensagens de telefone, e-mail, facebook e um blog e, consequentemente, a leva a descobrir coisas terríveis sobre a filha, as quais não poderia sequer imaginar.

Hey peeps, casualmente (ou não, rs) Eu, a Marina e a Sara lemos o mesmo livro concomitantemente. Cada uma apontou sua opinião com apontamentos ou razões ligeiramente diferentes, então resolvemos passar para vocês, os 3 pontos de vista, para que vocês possam ter mais chance de dizer se desejam ou não "Reconstruir Amélia".
Opinião da Marina:
Amor e ódio – Não consigo definir o que sinto com relação a este livro, no início era descrença, no meio era paixão e no fim decepção (quanto drama rs!). Achei a história muito envolvente, cada pista levando a uma revelação sobre a vida e a morte de Amélia e uma rede complexa de relacionamentos que entrelaça os fatos. O livro nos faz pensar em questões importantes sobre a relação entre pais e filhos: ser mais rígido ou amigo dos filhos? Preservar a privacidade dos adolescentes é o melhor caminho ou isso pode ser considerada negligência dos pais? Eles tem condições de fazer suas próprias escolhas? A ausência física dos pais que trabalham é ou não prejudicial aos filhos? Todas reflexões muito atuais, inclusive sobre a era digital e suas implicações na vida dos adolescentes.O problema é que, na minha opinião, a Autora deixa algumas pontas soltas na história, algumas pistas acabam sem sentido, como e-mails sobre encontros com o Diretor que nunca aconteceram. Mas o pior é a completa ausência de explicação para a narrativa dos fatos pelo ponto de vista da Amélia, já que ela morre no primeiro capítulo. Como assim? Poderia até ser um diário, estava me convencendo a acreditar nisso, mas acaba sendo ela quem explica a própria morte. Pode isso? Só se fosse um livro espírita! Esta aí o motivo da decepção, já tinha até superado o fato da menina morta complementar a história inicialmente narrada pela mãe, mas todo o suspense se resolver com a narrativa da Amélia sobre a própria morte foi longe demais. E ainda fiquei com a sensação de que muito da trama toda foi irrelevante para o desfecho da morte.Em suma, gostei do suspense e da complexidade da história, as discussões sobre o quanto os pais conhecem os filhos, como os filhos podem se prejudicar sem a supervisão adequada e o poder do bullying entre os adolescentes geram reflexões importantes, mas as lacunas na história depõe contra e o final me matou de raiva.
Opinião da Chrys:
Defino esta obra como muito mais drama que suspense investigativo. Não se iluda, porque a morte de Amélia e descobrir se foi ou não suicídio é apenas o começo de grandes descobertas.Como ser mãe solteira de um adolescente? Escolher entre estar presente ou dar conforto. Revelar a paternidade da criança para o pai e para a filha? Como lidar com a culpa pela ausência? Como lidar com a perda de um filho? Essas entre tantas outras são as perguntas que você fará lendo esse livro.A Narrativa é feita em 1ª pessoa sob a perspectiva da Amélia e da Kate. Me senti desconfortável ao ler relatos de uma pessoa morta que sequer deixou registrado como diário ou qualquer outro meio. Isso emperrou um pouco minha leitura, porque no começo, os acontecimentos são lentos, achei a Amélia chatinha. Da metade pra frente me acostumei com a narrativa e a coisa andou beeeeem. Fiquei sem entender algumas passagens do passado de Kate, completamente desnecessárias. Alguns personagens agiram de forma insana, apenas para figurarem como suspeitas, outros, tiveram atitudes criminosas e nem pagaram por isso. Isso me decepcionou um pouco. Mas os dramas vividos por Amélia que se depara diante de fazer parte de um clube secreto, seus trotes e as consequências de desobedecer seus integrantes, são atraentes, embora meio distantes da realidade Brasileira, ou se não é, nunca me convidaram para um, rs.Em síntese, o livro demorou a engrenar, mas em certo ponto me prendeu e me fez refletir, muito a respeito da relação que quero ter com meu filho daqui a alguns anos. E vocês sabem que eu adoooro livros que me forcem a pensar na vida! No final, uma declaração de Kate me fez chorar e avaliar a qualidade do tempo que passo com as pessoas que eu amo, com meu filho e principalmente minhas dúvidas e dificuldades em ser, também, uma mãe solteira que precisa trabalhar muito.
Opinião da Sara:
É meio difícil explicar minha relação com o livro, eu que já fui uma mãe solteira, além disso, mãe solteira adolescente. Eu li o livro com outro olhar, claro que existem falhas, pontas soltas, a começar pela construção das duas personagens, acabou que deixou muita coisa a imaginar. Alguns fatos desnecessários, como por exemplo quem é o pai da amélia e por no meio do livro aparecer uma mulher querendo vingança de Kate por um motivo muito nada a ver. Mas vou me atentar aos fatos. Eu matei a charada logo lá pro meio do livro, sobre ser ou não ser suicídio, ser ou não ser assassinato, e ai a gente chega no final e descobre que toda a construção feita acerca de bullying, pressão na adolescência, não fez parte do desfecho. Então pra que cargas d'água bater tanto nessa tecla?Me incomodou muito o fato da narrativa da Amélia não ser baseada em um diário por exemplo, então a Kate se comunicou com ela através de redes desconhecidas e matou a charada?Agora os dramas vividos pela Amélia, e posteriormente pela Kate são de doer o coração, mais de uma vez me peguei simplesmente parada em algum paragrafo, pensando e pensando e repensando minha vida, e meu relacionamento com a minha filha. Todas, todas as perguntas que a Kate se fez , eu consegui me fazer, coloquei-me no lugar dela em varias situações, sou permissiva? trabalho de mais? pego muito no pé?E meu Deus, meu Deus, será que de fato conheço a Jamile? Ela só tem 13 anos, quase 14, mas com 16 eu a tive, o que eu estou fazendo de certo e errado com a minha filha?Talvez se Kate tivesse marcado mais em cima, teria acontecido tudo isso com Amélia?Terminei esse livro chorando e na mesma hora eu falei pra Chrys, eu nunca, NUNCA mais vou deixar de dizer aos meus filhos, ou as pessoas que eu realmente amo o quanto elas são importantes para mim. E meu abraço a partir de hoje, sempre vai ser um pouco mais demorado. Pela forte mensagem que o livro passa, eu elevei a nota final dele, claro que poderia ser melhor escrito e construído, mas isso não tira o mérito final, que é alcançar o leitor, seja esse alcance, da maneira que for. 


É Galera, será que esse livro é pra você??? Conte-nos

Beijos

20 comentários:

  1. gostei das três opiniões, todas são válidas.
    Não gosto de livros desse gênero, mas realmente fiquei curiosa por conta da veia dramática
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Valeu, meninas! Vocês me fizeram chorar!
    Antes das lágrimas, devo dizer que sou mãe de adolescente, quase 15 anos, mas não sou mãe solteira (o que não importa, mãe é mãe, a dor é a mesma, a diferença é compartilhar essa dor com um companheiro que sente quase o mesmo - digo quase porque dor de mãe é oooooutro nível, tenho certeza).
    Devo dizer ainda, antes de molhar o teclado, que estou brochando... porque solicitei o livro, louca pela sinopse, pela proposta dessa redescoberta, ainda que no momento extremo da dor...

    Agora as lágrimas: putz! Como vcs eu tb gosto de leituras que me levem a refletir. E ficar pensando nessa relação com o filho, na maternidade e a TAMANHA responsabilidade me tira o sono. Sou muito aberta com ele, sem tabus. Mas sei que sou muito mais permissiva que castradora. Ponto pra mim que resolvo tudo na conversa, detesto autoritarismo. Mesmo assim sei que não há regra, receita ou fórmula para que uma criação dê certo. Formar, educar e fazer do seu filho um indivíduo do bem é muuuuito investimento emocional, psicológico, demanda muita disponibilidade, responsabilidade e ATENÇÃO. Nesse ponto, como estar atenta em um mundo virtual onde não posso invadir a privacidade dele? Claro que não. Se ele deixa o face aberto, vou lá e desligo sem futricar nas coisas dele. Prefiro que ele me surpreenda e conversemos, porque se eu não saquei nada ou ele fizer merda, tem algo errado em mim, nele, no sistema todo...
    Aí eu chorei... especialmente com essas frases de cada uma (malvadas):
    *** Marina: "Preservar a privacidade dos adolescentes é o melhor caminho ou isso pode ser considerada negligência dos pais? Eles tem condições de fazer suas próprias escolhas?" (Valeu por me enlouquecer, Marina, rsrs)
    *** Chrys: "...me fez refletir, muito a respeito da relação que quero ter com meu filho daqui a alguns anos." (Daniel tem quase 15 e já estou nessa prévia dos 'alguns anos', do que plantei na infância dele)
    *** Sara: "...eu nunca, NUNCA mais vou deixar de dizer aos meus filhos, ou as pessoas que eu realmente amo o quanto elas são importantes para mim. E meu abraço a partir de hoje, sempre vai ser um pouco mais demorado." (às vezes esqueço disso, mas é algo que pratico bastante).

    AMO VOCÊS pelo presente que foi esta resenha. Foi além do livro e já nem me incomodo mais em ter uma leitura que me desaponte em alguns pontos, a reflexão já é dolorosa e valiosa.

    A propósito, façam mais isso. Um olhar tridimensional assim, hahahaha, identifica leitores diferentes.

    Beijoooooo!

    Olha o que achei de DIAS PERFEITOS aqui: Ler para Divertir

    ResponderExcluir
  3. Gente nunca uma resenha me fez tão feliz quanto essa resenha tripla. Os pontos de vista de cada uma fizeram que eu desejasse mais ainda ler esse livro, acho que não importa a instância de cada pessoa no quesito estar antenada, ou gostar ou não da leitura, mas como cada uma expôs seu ponto sua visão e seu entendimento sobre a face de ser mãe e se descobrir sem conhecer seu filho! Adorei!!!

    ResponderExcluir
  4. Nossa,que história legal,fiquei tão curiosa que já fui pesquisar o preço e de cara já comprei. Achei o preço super acessível.Mesmo ainda não ter lido,adorei o ponto de vista das três. #chega #livro haha,bjuss.
    http://blogdalubraz.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Oi, tudo bem?

    Inicialmente, gostaria de dizer que adorei a resenha tripla, uma vez que podemos ver por diferentes ângulos as opiniões quanto ao livro. Sobre este, não tinha conhecimento dele, apesar de ter tido aquela sensação de já ter visto ele em algum lugar, vulgo, "dejá vu". Enfim, fiquei curioso quanto a trama, mas não sei se chegaria a lê-lo.

    Abraços,
    Gustavo Demétrio
    Vida de Leitor - vidadeleitor.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  6. Oieee
    Que resenha completona,adoro saber a opinião de vocês três.
    Marina,Amelia mesmo morta conseguiu explicar sua morte através de uma carta psicografada,é sitado isso em um momento da história.....mentira,isso é coisa da minha cabeça mesmo,aliás nem li o livro ainda.
    De qualquer maneira acho que vou me emocionar com o livro,que ficaria mais perfeito ainda se não houvesse aquelas partes completamente desnecessárias que vocês sitaram.
    O livro me pegarei mais ainda se eu já fosse mãe,sou bem emotiva para qualquer coisa envolvendo minha família.
    beijos

    ResponderExcluir
  7. Poxa, é a primeira vez que leio uma resenha e que vem acompanhada de três opiniões dos responsáveis do blog. Parabéns. Gostei muito pois uma completou a outra e eu quero ler o livro, pois vocês me deixaram bem curiosa.

    ResponderExcluir
  8. Gente, mas como assim?
    A menina morre e depois conta sua morte?....que narrativa mais confusa.
    Apesar de notar que narrativa desperta emoções, levanta questionamentos, e nos leva a refletir, essa não é uma leitura que eu colocaria como prioridade no momento.
    Até deu uma pontinha de vontade de sentir essa emoção que me pareceu tão palpável através das palavras da Sarah, mas gosto de histórias bem explicadinhas e narrativas que logo engrenam.

    Beijos.
    Leituras da Paty

    ResponderExcluir
  9. Nada melhor que em vez de uma resenha, três. Gostei bastante das opiniões, apesar de alguns pontos negativos que eu não tinha encontrado em outras resenhas. Ainda continuo com muita vontade de ler, acredito que de pra relevar esses detalhes. Desde quando li o resumo do livro fiquei muito curiosa pra saber o que aconteceu com Amélia e add na minha lista de desejados do skoob imediatamente.

    ResponderExcluir
  10. Nossa... esse livro e capaz de levantar tantos questionamentos... fico c/ a parte em que eu nao sei ao certo, que experiencia eu vou ter lendo "reconstruindo amelia". Sao tantas duvidas que o livro e capaz de proporcionar e ao mesmo tempo a certeza de que e sempre bom valorizar quem a gente quer po perto.

    ResponderExcluir
  11. Eu simnplesmetne ameiiiii a forma que voces fizram essa resenha..Três pontos de vistas do memo livro e "ao mesmo tempo" é fenomenal. Pelo visto vou adorar esse livro e já me vejo tentando descobrir o que ocorreu realemnte com Amélia e que era o(s) responsável(eis). Arrasaram. quero muito ler e ter esse lviro.

    bjs

    ResponderExcluir
  12. Amei as três resenhas, quero ler o livro agora que li esse post. Também gosto de livros que fazem pensar na vida.

    ResponderExcluir
  13. Adorei as resenhas, muito legal sabermos mais de um ponto de vista sobre o mesmo livro! Eu achei o enredo super interessante, adoro estórias neste estilo e fiquei curiosa para saber qual foi a verdadeira causa da morte da personagem. Pelos comentários de vocês, parece ser uma obra forte e com uma mensagem muito bonita, que vale a pena refletir. Fiquei interessada!
    beijos

    ResponderExcluir
  14. Oi meninas!
    Começo logo falando que gostei da resenha tripla, embora em alguns pontos sejam as opiniões diferenciadas, as 3 tiveram um sentimento semelhante.
    Após ler a resenha das 3 sabe que cheguei a uma conclusão bem pessoal: acredito que o livro foi escrito para ser um filme? Sim, porque em alguns filmes a personagem morta narra o que aconteceu de onde quer que esteja... Só pode pelo que falaram. Ainda assim, fiquei com vontade de ler o livro pela temática abordada sobre os assuntos 'paralelos'...
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  15. Adorei essa resenha com os três pontos de vistas diferentes. Ou melhor, quase iguais. kkkkkkk
    Muito legal as reflexões que essa trama nos passa, mas é uma pena que aconteceram esses deslizes no meio do caminho. O fato é que, mesmo assim, vocês conseguiram tirar ótimos ensinamentos/lições dele. Estou muito curioso pra ler.

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  16. Nossa três pontos de vista distintos, mas foi a opinião da Sara que mais mexeu comigo, se um livro levanta tantos questionamentos é claro que deve ter seu quinhão de qualidade. Já li narrativas que como é citado aqui perde o rumo e apresenta conteúdo em excesso mas que como diz minha vó "cutuca" a alma. Reconstruindo Amelia parece bem isso, aquele livro cheio de mimimi mas que mesmo assim atinge o objetivo que é informar e criar leitores pensantes, que questionem a estrutura social, a vida em comunidade e todos os preceitos adquiridos ao longo da vida.

    ResponderExcluir
  17. Oi! Esse livro está me conquistando! Amo mistérios e suspenses e esse parece ser ótimo. Fiquei bastante curiosa com os segredos que provavelmente Amelia tinha e se esse suicídio foi como disseram a ela.

    ResponderExcluir
  18. Nossa o livro parece ser ótimo, fiquei doida pra ler, já esta na minha lista de leitura.

    ResponderExcluir
  19. Como sou apaixonada por mistério, já estou louca para ler, na verdade já estava e esta é a maneira de ler sem gastar (caso eu ganhe né?), bjs, torcendo.

    ResponderExcluir
  20. Ansiosa para ler o livro, e as resenhas com opiniões tão diferentes e ao mesmo tempo com o mesmo olhar só aumenta essa ansiedade :)

    ResponderExcluir

Seu comentário é muito importante para nós e será sempre respondido, volte para conferir!
Se possível, deixe o link de seu blog, adoramos conhecer espaços novos e retribuir a visita!