28 junho 2014

[Resenha] A última música - Nicholas Sparks

Nicholas Sparks


Sinopse: Aos dezessete anos, Verônica Miller, ou simplesmente Ronnie, vê sua vida virada de cabeça para baixo, quando seus pais se divorciaram e seu pai decide ir morar na praia de Wrightsville, na Carolina do Norte. Três anos depois, ela continua magoada e distante dos pais, particularmente do pai. Entretanto, sua mãe decide que seria melhor para os filhos passarem as férias de verão com ele na Carolina do Norte. O pai de Ronnie, ex-pianista, vive uma vida tranquila na cidade costeira, absorto na criação de uma obra de arte que será a peça central da igreja local. Ressentida e revoltada, Ronnie rejeita toda e qualquer tentativa de aproximação dele e ameaça voltar para Nova York antes do verão acabar. É quando Ronnie conhece Will, o garoto mais popular da cidade, e conforme vai baixando a guarda começa a apaixonar-se profundamente por ele, abrindo-se para uma nova experiência que lhe proporcionará uma imensa felicidade – e dor – jamais sentida. Uma história inesquecível de amor, carinho e compreensão – o primeiro amor, o amadurecimento, a relação entre pais e filhos, o recomeço e o perdão – A ULTIMA MÚSICA demonstra, como só Nicholas Sparks consegue, as várias maneiras que o amor é capaz de partir e curar seu coração. 

Trata-se da história de uma adolescente de 17 anos chamada Ronnie, que se vê obrigada a passar as férias de verão com o pai, com quem não fala há 3 anos, numa pequena cidade litorânea na Carolina do Norte, bem longe dos seus amigos e da cidade de Nova York onde mora. Ronnie como toda adolescente, é rebelde, um pouco inconsequente, se envolveu em problemas com a lei, adora baladas e não consegue se entender com a mãe, com quem mora desde a traumática separação dos pais.
Só que esta pretensa rebeldia, que inclui roupas rasgadas e mecha roxa no cabelo, esconde uma menina sensível e muito talentosa, que desde muito cedo não só tocava piano muito bem, mais também compunha músicas ao lado de seu pai Steve. Steve, que costumava ser professor de piano na renomada escola de musica Juilliard, em determinado momento da vida decidiu deixar as aulas e viajar o país tocando piano, ficando muito tempo afastado da esposa e dos filhos, distância que culminou no divórcio e na mudança de Steve para sua cidade natal.

Se sentido abandonada pelo pai, Ronnie parou de tocar piano e também passou a se ausentar em todas as visitas que o ele fazia a ela e ao seu irmão mais novo Jonah, um menino inteligente e perspicaz, que dá um toque de humor ao livro. Chegando a casa de seu pai para as fatídicas férias de verão, Ronnie vai a um festival na cidade onde conhece Blaze, uma jovem da mesma idade e com um visual tão rebelde quanto o de Ronnie, e o namorado dela Marcus, um sujeito perigoso que demonstra um súbito interesse por Ronnie.

Mesma ocasião em que conhece Will, após um encontrão decorrente de um jogo de vôlei na praia, que terminou com Ronnie enfurecida pelo refrigerante derramado em sua roupa. No fim do festival Ronnie acaba por separar uma briga entre Marcus e Scott, amigo de Will, ao perceber uma criança perdida e chorando próxima a briga, o que chama a atenção de Will. Ele é um rapaz bonito, poupular e de bom caráter, mas que também possui seus fantasmas, trabalha na loja do pai, faz dupla no volei de praia com o amigo Scott e é voluntário no aquário da cidade. Exatamente por causa do trabalho no aquário ele reencontra Ronnie, quando é enviado para atender um chamado feito por ela para verificar um ninho de tartaruga, localizado na praia justamente em frente a casa do pai dela.

A partir deste reencontro e do interesse em proteger o ninho os dois passam a se conhercer mellhor, Will dedica seu tempo de folga para mostrar seus lugares favoritos a Ronnie, muitas afinidades surgem e os dois acabam se apaixonando. Ao mesmo tempo que Ronnie descobre que conviver com o pai é muito mais fácil do que com a mãe, pois ele é calmo, compreensivo, demonstra confiar na filha e, principalmente, não a obriga a tocar piano.

Mas nem tudo são flores, o interesse do badboy Marcus por Ronnie e o fato dele exercer algum tipo de poder sobre Will, causa muitos problemas ao casal. Além da ex-namorada, do melhor amigo e da família de Will serem contra o relacionamento dos dois. Mas o que realmente assombra o casal é a pergunta: Um amor de verão pode sobreviver a distância e a rotina? No final do verão Will irá para a faculdade em outro Estado e Ronnie vai voltar para Nova York, será que vale a pena lutar por este amor?

Em meio a esta grande dúvida e no pouco tempo que lhes resta juntos, Ronnie é surpreendida pela notícia de que seu pai tem uma doença incurável e lhe resta pouco tempo para tentar recuperar tantos anos de afastamento, para perdoar e ser perdoada. E Will, ainda haverá espaço para ele neste momento difícil da vida dela? Uma leitura emocionante mas ao mesmo tempo leve, pois os personagens tem senso de humor e a presença de Jonah trouxe a literalidade do raciocínio infantil o que me rendeu boas risadas.



A última música é narrado em 3ª pessoa, intercalando o ponto de vista de quatro personagens (Ronnie, Will, Steve e Marcus), mas a história se desenvolve de forma linear, sem atrapalhar a compreensão do enredo. Adoro todos os livros Nicholas Sparks, e esta história tem a complexidade de relações e as emoções na medida certa, sem dúvida uma ótima leitura.

O livro vai além do romance entre os jovens e seus conflitos em relação ao futuro, pois mostra a serenidade e a espiritualidade de Steve ao lidar com seu diagnóstico difícil e com a filha que lhe culpa não só pela separação mas por tê-la abandonado em determinado momento, bem como, com a perseverança de resgatar o amor dos filhos ainda que nos momentos finais da vida.  É interessante perceber à partir da narrativa de passagens da vida de Steve e do relacionamento dele com seus pais e com seus filhos, como todas as experiências vividas por uma pessoa desde a infância se tornam parte do que ela é, e como influenciam o seu modo de ver a vida, se relacionar e tomar decisões.

Mas mais significativo é o amadurecimento de Ronnie, que como todo adolescente se sente a dona da razão e defensora da verdade absoluta, mas à partir da convivência ainda que forçada com o pai, se permite ouvir o que ele tem a dizer, passa a ponderar e a ver a vida, as pessoas e a si mesma de forma menos dura. Como o pai reage de forma pacífica e compreensiva às suas provocações, Ronnie com o tempo se desarma e aos poucos abandona algumas convicções, o que lhe permite enxergar, por exemplo, a verdade sobre o divórcio dos pais. As experiências que vivencia fora de casa também lhe mostram que não existe uma verdade absoluta sobre os fatos, cada história tem muitas versões e cada uma pode levar a uma conclusão diferente.

Assim a reconstrução do relacionamento entre pai e filha se torna um ponto forte do livro, o que resulta em uma lição de amor, compreensão, perdão e amadurecimento. O desenrolar da história mostra que nos relacionamentos nem tudo é o que parece ser e entre o preto e o branco existem sim muitos tons de cinza, e que o show tem que continuar...

Beijos


10 comentários:

  1. Ronie é uma menina doce que se esconde em uma fachada rebelde, só assim ela evita a dor em si mesma, mas ganha o poder de decepcionar aqueles que a decepcionaram.
    chorei com esse livro demais, foi um dos primeiros do sparks que li e marcou
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Puxa, Marina, vc dissecou o livro e mostrou quantos conflitos bons - pra quem curte um bom drama, como eu, haha - existe na trama! Adoro essas relações tempestuosas entre pais e filhos, adoro personagens adolescentes, cheios de inseguranças e uma falsa sensação de que podem tudo, daí a inconsequência. O bom é ver que ela amadurece e descobre nesse pai uma pessoa próxima, que a ama e que até então não conhecia. Um novo amor pode ser a ponte desse caos para a vida mais leve e bonita.
    Bela resenha, bela estreia, Marina!
    Ler para divertir

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  3. Oi Marina, parabéns pela sua primeira resenha. Confesso que como faz tanto tempo que li este livro, nem lembrava dos detalhes, apenas de que amei e morri chorando.. hehe Beijos, Mi

    www.recantodami.com

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  4. Má,
    Assim como a Mirelle, faz tanto tempo que li esse livro... e lembro que chorei!
    Também adoro temas que retratam a conturbada relação entre pais e filhos e ver que a personagem amadurece e compreende a vida como a Ronnie. Tem coisas, como o divórcio dos pais, que não é culpa de um ou de outro.
    Enfim, dos livros do Nicholas que li, esse é um dos que mais gosto pelas lições inseridas, pela possibilidade muito grande de refletir sobre os temas trazidos.
    Adorei a resenha e seus comentários!
    Bjs

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  5. Olha flor toda vez que eu digo que nunca li o Nicholas Sparks as pessoas dizem: como assim você nunca leu??/ E eu: não. Daí que uma mega amiga me deu o livro dela que ela mais ama: diário de uma paixão para eu começar a ler, mas ainda não li. Mas acho que ele deve ter o dom de emocionar porque todos amam!

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    1. Como assim nunca leu Nicholas Sparks?! kkk Sou apaixonada pelos livros dele, meu favorito é "Querido John".Gosto da forma como os personagens são ao mesmo tempo extraordinários e pessoas comuns com quem você poderia cruzar na rua.

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  6. Olá Marina! Assisti o filme ano passado e amei! Achei linda demais a história e o irmão da Ronnie simplesmente rouba a cena, o Nicholas conseguiu colocar um personagem que quebrava um pouco o drama e dava um leve toque de diversão. Meu irmão me presenteou com o livro mas ainda não consegui ler, estou esperando passar um pouco o tempo e esquecer de alguns detalhes mas pela resenha já vi algumas divergências entre o livro e a adaptação. Tenho certeza de que irei chorar litros pois não há um livro sequer do Nicholas que eu não tenha chorado :p rsrs
    Parabéns pela primeira resenha flor, e que venham as próximas =D

    Beijos, Greice.
    diariodaalvorada.blogspot.com.br

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    1. Olá! O irmão dela me divertiu muito mesmo, muito espontâneo e inteligente. Preciso ver o filme agora para ver se a adaptação faz justiça ao livro. Obrigada pelo apoio. Um beijo

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  7. Eu adoro esse livro, porque me emocionou muito, o Sparks soube transmitir os sentimentos de forma linda. Me vi em Ronnie, pois perdi meu pai. Beijos.

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  8. Nicholas, Nicholas, Nicholas,
    Ou ame ou odeie, ainda assim fico no meio termo, acho que por ter lido todos até agora, ele quase nunca surpreende, mas afinal não é livro de suspense pra isso né? É pra emocionar , chorar etc,
    Talvez ai esteja o x da questão , eu quase sempre, se não sempre, me emociono com os livros dele, acho que por isso eu nunca desisto de ler.
    Na verdade verdadeira, eu tenho preguiça de pegar os livros dele pra ler, mas quando eu o faço , Ah meu coração

    E com a Ultima Música não foi diferente, já faz anos que eu li esse livro , mas lendo a resenha agora , cada detalhe voltou na minha memória, afff como esse cara sabe emocionar os outros, seja relação homem x mulher, mãe e filha, ou no caso pai e filha.
    Lembro de ter chorado sentido, quando ela finalmente se deixa vencer e toca a música que ajudou o ai a compor nos últimos minutos dele.

    Na época lembro que chorei mais ainda com o irmão , de como ele lidou com a dor de estar prestes a perder o pai , e querer terminar o bendito vitral antes que o pai se fosse. !!

    Pena que o livro NUNCA faz justiça ao livro , e talvez por isso eu nunca tive vontade de assistir.
    Mas eu adoraria que o retrato fosse fiel , pra ver se a emoção é a mesma.

    Bela resenha de estréia, alias , bem vinda ao time!!!

    Um Beijo

    Sara

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